Não sou daquelas pessoas que costumam reclamar sobre o livro que virou filme. Tenho perfeita noção de que uma imagem vale mais que mil palavras e que isso pode ser invertido, sabendo que mil detalhes de um capítulo passarão em um segundo no filme. Além disso, sei que o cineasta tem, salvas exceções, três horas para compor um filme.
Entretanto, em certos momentos, fico indignada com algumas versões. Foi do caso do Último dançarino de Mao. O livro é excepcional! Não morro de amores por biografias, mas resolvi testar essa e amei. É bom para quem quer ter uma ideia do que é um verdadeiro choque cultural. Conta a história de um bailarino, hoje reconhecido mundialmente, que veio do Nordeste da China, em um vilarejo muito pobre. Quando o governo de Mao passa a recrutar crianças de várias partes do país para incentivar a cultura exclusivamente chinesa à favor do comunismo, Li Cunxin é escolhido para ter aulas de ballet na escola da Madame Mao. Vai morar em Pequim, longe da sua família de 7 irmãos e cresce como dançarino clássico. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas, em um determinado momento, ele é convidado para ir aos Estados Unidos para ter uma temporada de aulas no Houston Ballet. O grande problema de Cunxin é que ele precisa escolher, literalmente, entre os dois tipos de ballet: o oriental, movido por uma técnica perfeita, mas sem emoção grandiosa; e o ocidental, com técnica diferente, mas com sentimentos mais profundos e com liberdade. Aí é que começa o meu dilema com o filme. O livro consegue tratar disso muito bem. Afinal, a questão se trata apenas do desejo do protagonista em relação à dança. O filme tratou disso como um clichê que me incomoda muito, fazendo com que isso se transformasse em comunismo versus capitalismo. Além disso, achei o livro muito mais rico em cultura chinesa que o filme. Eles promoveram poucas cenas mostrando os costumes. Em geral, quem nunca viu a China, acha que é só pobreza e todo chinês quer ser americano.
Tirando esses detalhes, o filme é bom para quem acabou de ler o livro e quer ver as cenas de ballet. São bem legais e inspiradoras. Chi Cao (protagonista) dança muito bem e foi escolhido pelo próprio Li Cunxin. Também é bom lembrar que a interpretação do elenco é formidável. Bruce Greenwood fez o perfeito Ben Stevenson, fugindo completamente do esteriótipo de coreógrafo afeminado. Todos os atores foram bem fiéis à biografia.
Bom, sempre recomendo que veja tudo para dizer o que gosta ou não. :)
Se já viu, diga o que achou! ;) Dou nota 5 ao filme e 10 ao livro.

Bem interessante como a visão de alguém que sabe mais de ballet é diferente. Concordo com tudo, mas toda essa questão da dança passou desapercebido por mim que não entendo nada hehe. Ficou ótimo o texto!
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